Sucinto peregrino,
leva me este punhado de saliva
a uma boca que consideres articulada.
Pede-lhe em troca de uma promessa sincera
- cria tu uma do teu coração -
o favor de a levar contigo.
De seguida procura com dedicação
uma pessoa nervosa, um corpo irrequieto
e entrega-lhe a fórmula que agora uniste.
Em troca pede-lhe os olhos
e coloca-os no topo da maior árvore que encontrares
mas cuida em vira-los para o céu
- concerteza que sossegarás e contentarás essa alma.
Leva então depois esse corpo cego,
mais a saliva e a boca preparada,
até um declive ou beiral que te dê
um boa e satisfatória linha de horizonte.
Aí, retira com cuidado as vontades do teu peito
e com a outra mão segura os teus olhos.
Abandona enfim o teu corpo peregrino e junta o que te pedi
à fórmula que foste unindo na tua jornada.
Abre os olhos,
não procures atrás o teu corpo,
aqueles outros olhos errantes que colocaste no topo da árvore
ou quem tinha uma boca desperdiçada
ou até mesmo eu, que te dei saliva.
E agora
que és feito de tudo,
abre os olhos
e diz o tudo que tens em ti.
e sê feliz!
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1 comment:
Somos, na verdade, feitos de tudo.
Mas ser feliz, já é outra conversa...
Um abraço.
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