Teimoso como era, irritado por ter acendido o cigarro ao contrário, insistiu em fuma-lo dessa forma até ao fim, inalando os fumos agoniantes e asquerosos que dele emanavam, para grande espanto e repulsa dos presentes.
Anos mais tarde, no leito de morte, padecendo de cancro dos pulmões, culpara cheio de remorsos esse dia maldito em que insistira nessa estupidez que nunca mais havia repetido.
De punho erguido, cerrou a mão em fúria amaldiçoando a industria tabaqueira pelos quimicos perigosos presentes nos filtros e pela ténue diferença que existe na cor do papel do filtro e do cigarro propriamente dito, que lhe causaram a confusão daquele dia e a teimosa acção de, em jeito de revolta, o fumar até ao fim como forma de protesto.
E temendo o perigo da fraca encomenda aos céus, juntou as mãos ao peito e murmurou um perdão, um pedido qualquer que foi diminuindo a fraca voz e se finou por fim num suspiro e nums olhos arregalados que fitaram o tecto.
Ele! Que fumava 2 maços por dia e era ateu confesso.
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