Saturday, January 31, 2009

das estranhas indecisões, erradas certezas!

Serrou metade do braço esquerdo e pendurou-o lado a lado com o sobretudo que ainda pingava.

Com a mão que lhe sobrava ainda agarrada ao corpo, sacudiu desajeitadamente o chapéu de chuva, primeiro encharcando o chão todo do hall de entrada e depois deixando-o cair no soalho flutuante, causando um baque enorme àquela hora da madrugada. Mas ainda na tentativa de controlar o desarranjo, tentou alcançar sem sucesso o cabo do chapéu, que lhe fugira como se estivesse vivo e perdeu o equilibrio de forma circense, escorregando ora no sangue que escorria do braço dependurado ora na água que trouxera da chuva e que se espalhava como um díluvio bíblico pela casa fora.

Já no chão, ouvindo ao fundo um berro vizinho de fúria justificada, ponderou - meio atónito - sobre o que acabara de acontecer e tarde demais apercebeu-se que havia serrado o braço errado, pois esquecera-se que era canhoto!